ANS Inclui Primeira Cirurgia Robótica na Cobertura Obrigatória: O Que Isso Muda Para Você

A prostatectomia radical robótica agora é de cobertura obrigatória pelos planos de saúde, o que representa um avanço importante para homens com câncer de próstata que dependem da saúde suplementar. Isso abre espaço para exigir o procedimento quando ele for indicado pelo médico, sem que o plano possa negar com base em “falta de previsão no Rol”.

O que exatamente foi aprovado

A ANS decidiu incluir a prostatectomia radical assistida por robô no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, tornando-a a primeira cirurgia robótica de cobertura obrigatória no país. A decisão acompanha recomendação da Conitec, que já havia aprovado o procedimento no SUS após análise das evidências científicas e da estrutura já existente na rede pública.

Essa nova cobertura entra em vigor em 1º de abril de 2026, respeitado o prazo de 180 dias para que hospitais, operadoras e profissionais se organizem e se adaptem às exigências técnicas e de segurança assistencial. Na prática, a partir dessa data, os planos regulamentados deverão cobrir o procedimento sempre que houver indicação médica adequada e respeitadas as regras contratuais básicas.

Por que a cirurgia robótica importa

A prostatectomia robótica é hoje considerada o método cirúrgico mais avançado para o tratamento do câncer de próstata. A tecnologia permite maior precisão na dissecção e preservação de estruturas nobres, com menor sangramento, menos tempo de internação e melhores resultados funcionais em comparação com técnicas convencionais em muitos casos.

Isso significa que, quando bem indicada, a cirurgia robótica pode representar mais qualidade de vida após o tratamento, com recuperação mais rápida e redução de complicações. Para pacientes em idade ativa, ou com outras comorbidades, essa diferença de desfecho pode ser decisiva na escolha terapêutica feita pelo médico assistente.

Como essa decisão impacta o plano de saúde

Com a incorporação no Rol, a cirurgia deixa de ser vista como “opcional” ou “estética” e passa a ser uma tecnologia obrigatória dentro da rede credenciada do plano. Isso fortalece o argumento de que, havendo indicação médica para a via robótica, o plano não pode simplesmente impor apenas a técnica aberta ou laparoscópica, alegando custo ou ausência de previsão.

Por outro lado, o texto da ANS deixa claro que ainda existe o desafio da interiorização da tecnologia, já que a maior parte dos robôs está concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Nesses casos, podem surgir discussões práticas sobre deslocamento, utilização de hospitais de referência fora do município ou pedido de reembolso quando não houver prestador habilitado na rede do plano na região do paciente.

Passo a passo para o segurado

  • Confirme a indicação médica: O primeiro passo é conversar com o urologista e obter um relatório técnico claro justificando a escolha da prostatectomia robótica, explicando por que ela é mais adequada ao seu caso.
  • Verifique a vigência e o tipo de plano: Confirme se o seu contrato é regulamentado e se já está dentro do prazo de início da obrigatoriedade (a partir de 1/04/2026).
  • Consulte a rede credenciada: Peça ao plano a relação de hospitais e equipes credenciadas aptas a realizar a cirurgia robótica, registrando protocolos, e-mails e respostas formais.
  • Formalize pedidos e negativas: Faça o pedido de autorização por escrito e exija que qualquer negativa seja formalmente justificada; isso é essencial para eventual reclamação na ANS ou ação judicial.

Se houver negativa injustificada, oferta apenas da técnica convencional sem fundamentação ou ausência total de prestador habilitado, é recomendável buscar orientação de um advogado de confiança para avaliar medidas judiciais e estratégias de reembolso ou transferência para centro especializado.

Prevenção continua sendo essencial

Mesmo com o avanço tecnológico e a ampliação de cobertura, o câncer de próstata ainda é o tumor mais frequente entre homens no Brasil (excluindo pele não melanoma) e mantém altas taxas de mortalidade, em grande parte por diagnóstico tardio. Estimam-se cerca de 70 mil novos casos por ano, com maior incidência após os 60 anos, justamente quando muitos homens reduzem o acompanhamento por barreiras culturais, falta de informação ou dificuldade de acesso.

Por isso, a mensagem central permanece: a cirurgia robótica é um grande avanço para quem precisa operar, mas o ideal é combinar informação, exames de rotina e quebra de tabus para detectar a doença o mais cedo possível. Com diagnóstico precoce, as chances de cura são altas, e o país pode reduzir, de forma consistente, o número de mortes por câncer de próstata nos próximos anos.

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